domingo, 29 de maio de 2011

É DIFÍCIL AGRADAR A TODOS.....

Olá pessoal!

Nessa degustação analisamos 3 vinhos: um rosé italiano, um tinto francês e pra acabar um chileno Cabernet Sauvignon.


O primeiro era o de Bolgheri Rosato DOC, um vinho com a assinatura e tudo mais do conglomerado Antinori chamado Scalabrone 2009. O vinhedo e o vinho levam o nome de um bandito que viveu nessa época em meados do século 19, que era um tipo de Robin Hood toscano que atacava os navios que aportavam nos portos no canal de Bolgueri.Todo mundo já foi seco pensando estar na beira da piscina tomando um rosé de provence..... Parecia mais um tinto do que um rosé pela sua estrutura. De coloração rosa bem intenso veio primeiro um ataque frutado com framboesa, mentol e floral com um corpo médio, mostrando bela acidez mascarada pelo açúcar e corpo. Pessoal levou um susto e não agradou para a maioria que esperava um vinho mais delicado. Creio que esse vinho carregou consigo toda a potência herdada das uvas 40% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 30% Syrah. Para variar nada a ver com tipicidade ou regionalidade mas sim uma proposta de venda para mercado externo.



Depois provamos provamos um Languedoc chamado Giocosa Domaine L'Oustal Blanc, aclamado pela crítica parkerniana que lhes conferem acima de 90 pontos a cada nova safra. Com vinhedos antigos localizados  28 hl/ha nas apelações "Minervois" et "Minervois La Livinière", produzido com 65% Grenache, 20% Syrah e 15% Carignan. Vinho intenso, frutado de cassis e framboesas, com taninos jovens porém elegantes associaods a mineralidade e boa acidez que mostram toda a qualidade do terroir do sul da França. Vinhaço que para mim foi o melhor da  noite contrariando a maioria dos confrades . Preciso tomar um desse em casa.





Por fim degustamos um Cabernet Sauvignon chileno tido com um dos icones em sua categoria: El Principal 2006 da Viña el Principal D.O. Maipo. Coloração rubi com aromas abertos de goiaba e especiarias bem equilibrado entra álcool e corpo. Típico com toque herbáceo, baunilha e chocolate que completam este vinho que possue tudo que um bom cabernet sauvignon chileno precisa ter, mas sem surpreender. Agradou ao todos.

Duda benvindo á confraria!


Abraço aos malas!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ESCOLA DO VINHO: O QUE É UM CORTE BORDALÊS? - POR ROBERTO MARINO

Olá pessoal!

Um  "Corte Bordalês" se faz com a mistura de vinhos que contenham apenas as variedades de uvas autorizadas  na produção de vinhos da região de Bordeaux-França. As seis variedades permitidas são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Carmenére e Malbec que são mescladas a fim de se obter a melhor expressão de tipicidade e terroir  da região. Então são vinificados dois ou mais vinhos diferentes que depois serão misturados entre si dependendo da característica de cada safra e sensibilidade do enólogo para se obter o produto final com maior caráter e elegância. Também serve como segurança ao enólogo, que em anos ruins de Merlot de amadurecimento precoce ou Cabernet tardio pode alterar a porcentagem entre eles mantendo a qualidade do vinho.

Geralmente os grandes Châteaux produzem seu primeiro vinho ou grand vin com cortes que imprimem um caráter mais complexo, estruturado, aromático e tânico para garantir maior longevidade, deixando para seus vinhos mais inferiores um corte mais jovem e frutado para consumo mais imediato.
O Corte Bordalês clássico é mais frequentemente utilizado na margem esquerda do Gironde e Medóc, onde a Cabernet Sauvignon reina e portanto assume com 70%, 15% Merlot e 15 % Cabernet Franc. Já na margem direita como no Pomerol e Saint - Emillion são utilizadas maiores porcentagesn da Merlot e Cabernet Franc; onde o  blend que passa a ser mais utilizado seria de 70% Merlot, 15% Cabernet Franc e apenas 15% Cabernet Sauvignon.

1 - Cabernet Sauvignon:  Originária de Bordeaux, é conhecida como "a rainha das uvas tintas". É resultado do cruzamento entre as uvas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc (francês  "sauvage" = selvagem). Junto com a Merlot formam o esqueleto, espinha dorsal dando corpo e estrutura ao vinho. A Cabernet empresta aromas de frutas como ameixas, amoras, pimenta verde e seus taninos conferem ao vinho maior potencial de envelhecimento.

2 - Merlot:  Uva tinta mais cultivada em Bordeaux frequentemente utilizada nos blends mas também sózinha produz o emblemático Chateau Petrus. Seu  nome deriva do diminutivo de "merle", um pequeno pássaro preto da região cuja penugem se assemelha á cor dos bagos de Merlot. Usada para dar mais "recheio" e maciez ao vinho e amansar a Cabernet Sauvignon que precisa estar pelo menos a 10% para deixar suas características.

3 - Cabernet Franc: Faz parte junto com Petit Verdot  do tempero acrescentado cor e aroma ao vinho. È melhor cultivada como varietal no Loire produzindo vinhos austeros em Chinon. Mais leve que sua irmã Sauvignon contribui com aromas de pimenta negra, tabaco, framboesas, cassis e violetas dando um toque de elegância ao vinho.

4 - Petit Verdot: Seu nome vem de "petit vert" em razão de sua maturação tardia. Confere ao vinho intensidade de cor e aromas e um pouco de estrutura principalmente ás do Médoc.

São permitidas ainda a Carmenére e Malbec, porém seu uso está cada vez menos frequente.

Com a expansão mundial do mercado do vinho, vários blends tem sido criados por "négociants" e vinhateiros de garagem para se produzirem os "Modernos Bordeaux" e "Vins de Garáge". São vinhos de boa qualidade que vão contra ao estilo bordalês. Não possuem  classificação de origem são "Vins de table", porém buscam caractéristicas regionais em vinhos mais acessiveis tanto ao bolso quanto ao paladar, numa boa relação custo benefício.  

Abraço aos Malas!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DEGUSTAÇÃO ÁS CEGAS DE 3 PINOT NOIR : ARGENTINA X CHILE X FRANÇA!

Olá caros malas!

 Adoramos degustação ás cegas; pois assim podemos botar á prova nossos conhecimentos, tentando deixar de lado todo e qualquer  preconceito vestindo assim a camisa da humildade. Todos presentes menos Deps., Migueluccio, Sylvão e a nossa queridíssima Flavia! :-)
Todos os vinhos servidos ao mesmo tempo em decanteres numerados de 1 a 3, onde sabiámos apenas a procedencia dos vinhos.


Aspecto  visual dos vinhos:

O1 era de uma coloração rubi nítida com pequeno halo de maturação, número 2 já  mais envelhecido com maior halo e o tercerio  violáceo puro intenso mostrando ser o mais jovem manchando toda a taça. Daí todo mundo já meteu o pau no terceiro: Argentino! Primeira impressão de todos França, Chile e Argentina!


Partimos para os aromas que mostravam na sequência de 1 e 2 mais tipicidade frutada da pinot noir com cerejas e framboesas sendo o segundo mais mentolado com frutas  intensas e maduras, o primeiro mais complexo mostrando algo de terroso e couro bem leve  e o terceiro era mais herbáceo que frutado. Dá-lhe hermanos!

Na boca o terceiro confirmou a impressão de todos que seria do novo mundo, fruta jovem escondida sob o caráter herbáceo e madeira rústica com taninos plenos e  jovens.

O segundo vinho mais delicado com acidez bem balanceada com álcool apesar do pequeno calor residual e toque mentolado tipo balla halls de cereja presente com pouca influência de madeira. E agora. Chile!
O primeiro mostrou ser realmente o mais delicado de todos, mostrando a fruta bem nítida de cereja e framboesa, mas não muito complexo em relação a aromas apresentando algo terroso e couro. Quase nada de madeira, menor corpo, mais equilibrado dos três com acidez bem fresca dando pinta de ser Francês.
A nossa grande dúvida era realmente entre o número 2 e 1 que apresentavam maior grau de evolução e equilíbrio, denotando melhor o caráter da Pinot noir. O  veredicto inicial  foi para a maioria:
1 - Francês.
2 - Chileno.
3 - Argentino.


e o número 1 escolhido como o melhor da noite para 6 confrades e 3 elegeram o número 2.


Vamos aos vinhos!
Para surpresa de todos o numero 3 era o chileno, cujo produtor optou por vinificar a pinot noir do jeito que deu na telha dele naquele ano e por isso talvez caiu no nosso conceito no parâmetro de ser uma Pinot  noir, mas tomado isoladamente trata-se de um grande vinho!


Numero dois mostrava estirpe e elegância que só uma pinot noirque cresceu em região fria como valle do uco  poderia ter, mas ainda lhe faltava algo.... 


Número 1 pela delicadeza, equilíbrio e maior complexidade dos três mostrou-se realmente o que esperávamos de uma Pinot noir. Sua bela acidez e elegancia realmente denotava ser de um vinho francês de um grande produtor da borgonha, apesar de não ser um grand ou premier cru.

Tirando a venda!

1 - Domaine Henri George 2007 - Apellation  Controlée Nuits de Saints Georges - França.

2 - Salentein Pr1mus  Pinot Noir Cosecha 2004 - Valle do Uco - Argentina.

3 - Montsecano Pinot Noir 2009 - D.O. Casablanca - Chile.

Todos os vinhos da Zahil.

Bom, abraço a todos!